segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Vídeos de Funaro abrem nova crise entre Michel Temer e Maia

Rafaela Felicciano/MetrópolesA divulgação dos vídeos da delação premiada do operador Lúcio Funaro causou um novo confronto entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Michel Temer. Para interlocutores do Palácio do Planalto, a medida é mais uma ação de Maia para tentar constranger o governo e mostrar descolamento do presidente. O governo avalia que o deputado não tinha a obrigação de colocar os vídeos no site da Câmara.
O episódio levou a um bate-boca público entre Maia e a defesa de Temer, justamente na semana em que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara vai analisar o relatório da segunda denúncia contra o presidente, por obstrução da Justiça e organização criminosa no caso J&F. Neste sábado, 14, o advogado Eduardo Carnelós publicou nota para criticar “vazamentos criminosos”. Maia contra-atacou e disse que o defensor é “incompetente”. Carnelós recuou e, também em nota, disse que “jamais” imputou “a prática de ilegalidade” ao deputado.

Os vídeos da delação de Funaro foram divulgados no site da Câmara com documentos relacionados à segunda denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). O material foi enviado pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, com ofício expedido em 21 de setembro, uma semana após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar a segunda denúncia contra Temer.
Segundo a presidência da Câmara, no ofício não há menção ao sigilo do material. Neste domingo, 15, por meio de assessoria, Cármen Lúcia afirmou que apenas oficiou Maia e o relator do inquérito, Edson Fachin, é a autoridade máxima e única no processo. Segundo o gabinete de Fachin, a delação de Funaro não teve o sigilo retirado em nenhum momento.
O secretário-geral da Mesa Diretora, Wagner Soares, que é subordinado a Maia, determinou, porém, que os vídeos fossem divulgados no site da Câmara. O material subiu na íntegra no dia 29 de setembro, uma semana depois de o presidente da Câmara disparar duras críticas a Temer e ao PMDB em razão do assédio dos peemedebistas a parlamentares do PSB com os quais o DEM negociava filiação.
Os vídeos vieram a público somente nesta sexta-feira, 13, com reportagem do jornal Folha de S.Paulo. A primeira nota de Carnelós com acusação de “vazamento criminoso” irritou Maia, que fez chegar a Temer sua insatisfação. “Não teve vazamento. O advogado é incompetente”, disse o presidente da Câmara à Coluna do Estadão. Em nota, Maia disse ainda ver com “perplexidade muito grande” ter sido tratado de “forma absurda” pelo advogado, “depois de tudo que fiz pelo presidente, da agenda que construí com ele, de toda defesa que fiz na primeira denúncia”.
Embora as imagens de Funaro impressionem o Planalto e tenham impacto no governo, a avaliação é de que essa nova polêmica com Maia pode trazer mais problemas para o presidente do que o conteúdo dos vídeos. No Planalto, o teor da primeira nota de Carnelós foi considerado um “tiro no pé”. Temer, então, mandou seu advogado distribuir a segunda nota, na qual ele negou ter imputado “crime” a Maia, para amenizar a tensão com o deputado.
TemperaturaA temperatura entre Temer e Maia já havia subido em razão do episódio do “assédio” a parlamentares do PSB. Maia disse que foi atingido com uma “faca nas costas” pelo PMDB. Desde então, houve mais problemas.
Na semana passada, por exemplo, Maia, em desacordo com o Planalto, abriu a sessão da Câmara para votar a Medida Provisória (MP) sobre acordos de leniência de bancos. A base, porém, não apareceu na votação por articulação do governo, que tinha pressa em votar o relatório pelo arquivamento da segunda denúncia. Maia, então, sentiu-se derrotado na intenção de votar a MP e acusou o Planalto de não ter prioridade em suas pautas.
O Planalto já estava atento às ações de Maia e a desconfiança de parte a parte só tem crescido. Para o governo, parlamentares que se dizem indecisos poderão aproveitar o impacto dos vídeos para fazer novas cobranças ao Planalto. A avaliação é de que isso poderia aumentar o impacto dos apoios, mas não inviabilizar o arquivamento da denúncia.
 

domingo, 15 de outubro de 2017

Masp expõe mais de 200 obras sobre a história da sexualidade



    A ideia do Masp com a exposição “Histórias da Sexualidade”, que será inaugurada em 19 de outubro, é apresentar um panorama das representações da sexualidade em diferentes períodos e técnicas artísticas.
    HistoriasdaSexualidade-DorothyYanoneO público poderá observar mais de 200 obras do acervo do museu e também de coleções brasileiras e internacionais, incluindo desenhos, pinturas, esculturas e fotografias de nomes como Anita Malfatti, Francis Bacon, Edgar Degas, Lasar Segall, Cícero Dias e Pablo Picasso.
    A mostra vai ocupar três espaços expositivos do Masp: a sala de vídeo (que contará com um trabalho inédito de Mauricio Dias & Walter Riedweg), a galeria do primeiro subsolo e o primeiro andar. É lá que estará a maior parte das obras, divididas em oito núcleos temáticos, sendo eles Corpos Nus, Totemismos, Religiosidade, Performatividade de Gênero, Jogos Sexuais, Mercado de Sexo, Linguagens e Voyeurismo.
    Segundo o Masp, que completa 70 anos em outubro, estarão expostos corpos femininos, masculinos, trans e travestis de diferentes belezas e padrões, que podem “suscitar reações de repulsa e abjeção, desejo e encantamento”. Uma vitrine também vai abrigar imagens de diversas representações de órgãos sexuais, com falos, vulvas e seios.
    A curadoria é de Adriano Pedrosa (diretor artístico do Masp), Lilia Schwarcz (curadora-adjunta de histórias do Masp), Pablo León de la Barra (curador-adjunto de arte latino-americana do Masp) e Camila Bechelany (curadora-assistente do Masp).Os ingressos custam R$ 30, e a classificação etária é livre.
    “HISTÓRIAS DA SEXUALIDADE”Onde: Masp (Avenida Paulista, 1.578, Bela Vista, São Paulo, SP)
    Quando: 19/10 a 14/2/2018 – terça a domingo (10h às 18h); quinta (10h às 20h)
    Quanto: R$ 30 (às terças: grátis; menores de 10 anos: grátis)
    + infos: classificação livre

    Bolsonaro falta debate para não precisar desmaiar.

    Papa canoniza 30 brasileiros e proclama santos meninos mártires do México

    O Papa Francisco canonizou neste domingo (15) os 30 "mártires do Rio Grande do Norte", considerados os primeiros mártires do Brasil, assassinados em 1645. A cerimônia ocorreu na Praça de São Pedro do Vaticano. El também proclamou santos os três "meninos Mártires de Tlaxcala (México)", assassinados entre 1527 e 1529.
    Francisco utilizou, como é habitual, a fórmula em latim para proclamar a santidade e pedir que fossem inscritos nos livros dos santos da Igreja.
    Durante a cerimônia também aconteceram as canonizações do sacerdote espanhol Faustino Míguez (1831-1925), fundador do Instituto Calasancio Filhas da Divina Pastora e do capuchinho italiano, Angelo da Acri.
    Uma missa de domingo em uma capela, uma celebração em campo aberto às margens de um rio e 150 pessoas brutalmente assassinadas. Dois massacres registrados no Rio Grande do Norte e apontados como símbolos da intolerância religiosa de holandeses que dominavam o Nordeste brasileiro em 1645 renderam ao país, 372 anos depois, 30 novos santos - "os primeiros santos mártires do Brasil".
    Os chamados "mártires de Cunhaú e Uruaçú" - nomes de duas localidades da época que hoje correspondem aos muncípios potiguares de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante - foram beatificados no ano 2000 pelo Papa João Paulo II e foram canonizados neste domingo pelo Papa Francisco.
    Os 30 novos santos são os únicos mortos identificados em dois massacres que deixaram um saldo de aproximadamente 150 vítimas. Por esse motivo, somente eles foram reconhecidos na cerimônia.
    O caso é considerado emblemático, entre outros motivos, porque os massacrados teriam "dado a vida, derramado o sangue, na vivência de sua fé", segundo a Igreja.
    Em Cunhaú, 70 teriam sido assassinados em 16 de julho de 1645. O episódio é apontado como retaliação holandesa aos que seguiam a fé católica e se recusavam a migrar para o movimento religioso protestante que difundiam, o calvinismo.
    O livro "Beato Mateus Moreira e seus companheiros mártires", escrito pelo Monsenhor Francisco de Assis Pereira a partir de pesquisas históricas e dados que embasaram a beatificação, afirma que os holandeses contaram com a ajuda de indígenas para invadir uma capela da região, fechar as portas e matar quem estivesse dentro, em uma manhã de domingo.
    Quase três meses depois desse episódio, em 3 de outubro, outras 80 pessoas também viraram alvos em outro cenário: às margens do rio Uruaçú, foram despidas e assassinadas por não terem se convertido ao protestantismo. Nem crianças foram poupadas do ataque. Uma delas, com dois meses de vida, foi uma das vítimas, junto com uma irmã e o pai.
    Também parte desse segundo grupo, o camponês Mateus Moreira acabou virando símbolo do martírio porque, no momento de sua morte, teria bradado: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". A louvação seria uma prova incontestável de sua fé, na visão católica. Ele foi morto ao ter o coração arrancado pelas costas.
    A presença da igreja católica no Nordeste já era considerada "marcante" nessa época, como descreve o Monsenhor Pereira, postulador da causa da beatificação dos mártires, no livro. "Havia padres seculares (padres pertencentes a dioceses), numerosos conventos de franciscanos, carmelitas, jesuítas e beneditinos. Eram mais de 40 mil católicos", escreve ele.
    Os holandeses aportaram na região em 1630. Eles chegaram nesse período a Pernambuco e assumiram o comando político e militar da área - estendendo o domínio posteriormente a outras capitanias, inclusive à do Rio Grande, como era chamado o Rio Grande do Norte.
    Os colonizadores teriam perseguido e assassinado adeptos da religião católica que não aceitaram virar calvinistas. Na mesma época em que, por meio da Inquisição, a Igreja Católica ainda perseguia, julgava e punia acusados de heresia.
    Adultos, jovens e crianças: quem são os mártires canonizados
    A lista de novos santos inclui um total de 25 homens, entre eles dois padres, e cinco mulheres. Eram 16 adultos, 12 jovens e duas crianças - a mais nova, o bebê de dois meses de idade.
    "A identificação dos que serão canonizados não se dá tanto pelos nomes, mas também por identificação de parentesco e de amizade (das vítimas)", ressalta o padre Julio Cesar Souza Cavalcanti, responsável por encaminhar a canonização dos mártires na Arquidiocese de Natal.
    A professora aposentada Sônia Nogueira, de 60 anos, estará em Natal, a mais de sete mil quilômetros de distância da cerimônia, mas em vigília e "com o coração cheio de gratidão pelos mártires".
    Ela diz que, por intermédio deles, pediu "a graça da cura e da libertação" para o marido, José Robério, que em 2002 começou a enfrentar as consequências de um câncer no cérebro. Fortes dores de cabeça levaram o militar aposentado, hoje com 68 anos, ao diagnóstico.
    O caminho trilhado a partir desse ponto foi marcado por "apreensão", mas também pelo que Sônia resume com letras maiúsculas em um texto: "MILAGRE DA SOBREVIDA!"
    A frase foi escrita por ela em um relatório que enviou à Igreja Católica no Rio Grande do Norte, em 2016, para contar a história do marido em meio a exames, tratamentos de saúde, cirurgias e momentos de "fé".
    Rezar foi a estratégia fundamental, segundo Nogueira, para que Robério resistisse à doença, que raramente possibilita sobrevida de mais de três anos aos pacientes após diagnóstico. No laudo médico que a professora apresentou para embasar cientificamente o que considera um milagre, o neurocirurgião que acompanhou o caso de Robério o coloca no rol de "exceções da medicina", porque ele sobreviveu.
    "Já se vão 15 anos e 5 meses desde que soubemos do tumor", diz Sônia, em entrevista à BBC Brasil. Ela não tem dúvidas: "Foi um milagre. A medicina foi só um complemento".
    Comprovação de milagres não foi exigida no processo
    Robério e sua mulher estão entre os mais de cinco mil fiéis que já relataram à Arquidiocese de Natal "graças alcançadas" por meio dos "novos santos" do Brasil.
    Não foram necessários, porém, milagres para fundamentar a canonização.
    "O Papa Francisco, quando decidiu pela canonização com a dispensa do milagre, colocou como um ponto básico (para a aprovação) a antiguidade do martírio e a perpetuidade da devoção do povo aos mártires", explica o padre Julio.
    Por meio do chamado processo de equipolência, o papa reconhece a santidade considerando três requisitos: a prova da constância e da antiguidade do culto aos candidatos a santos, o atestado histórico incontestável de sua fé católica e virtudes e a amplitude de sua devoção.
    O mesmo processo, em que milagres foram dispensados, foi adotado para a canonização de São José de Anchieta, outro santo do Brasil.
    Para Nogueira e Robério, no Rio Grande do Norte, o milagre que os mártires teriam realizado é, porém, inquestionável. "Robério foi bem aventurado no processo, por intercessão deles", justifica a aposentada. "Como um paciente pode chegar a (sobreviver) 15 anos tomando uma medicação que segura outros por no máximo três?".
    Com dificuldades para falar e andar sem apoio, após a segunda e última cirurgia que fez, o marido faz coro: "Estava muito doente e os mártires me levantaram".
    "Quem não vai ficar bom tendo um santo dentro de casa?", ele questiona, referindo- se ao fato de os novos santos terem origem no estado em que mora.
    A canonização deste domingo eleva para 36 a quantidade de santos considerados nacionais. Até agora, só um deles, Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, mais conhecido como Frei Galvão - santificado em 11 de maio de 2007 - era, porém, brasileiro de nascimento.
    Os outros cinco já oficializados, São Roque Gonzales, Santo Afonso Rodrigues, São João de Castilho, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus e São José de Anchieta, são estrangeiros, mas desenvolveram missões no país. Eles são reconhecidos por milagres.
    Temer
    O presidente Michel Temer divulgou uma nota por ocasião da canonização. "A Igreja Católica decidiu canonizar 30 mártires que, no Brasil do século XVII, deram a vida em nome da fé, em nome da devoção. São heróis que já são justamente honrados em nosso querido Rio Grande do Norte. São homens e mulheres que, beatificados por São João Paulo II, tornam-se, agora, os primeiros Santos mártires do Brasil", disse.

    Hospital Evangélico apura denúncia de agressão de médico contra paciente

    Resultado de imagem para Hospital Evangélico apura denúncia de agressão de médico contra pacienteNa tarde de sexta-feira (13), a Polícia Militar foi chamada ao Hospital Evangélico, em Curitiba, para atender um suposto caso de agressão de um médico contra um paciente. De acordo com testemunhas, o médico teria se irritado com os gritos do pedreiro Valdeci Conrado da Silva, de 52 anos, e teria chutado o homem. 


    O pedreiro, ainda de acordo com outros pacientes, aguardava atedimento há mais de três horas na emergência. "Ele estava com muita dor nas costas e uma perna estava travada. Ele estava deitado no chão e o médico chegou chutando a cabeça dele", disse uma as testemunhas. O profissional de saúde também teria arrancado um extintor de incêndio da parede e jogado no chão. Depois da suposta agressão, houve tumulto e vários pacientes começaram a gravar a situação com celulares. Um dos vídeos mostra as pessoas revoltadas e xingando o médico. "Isso é uma vergonha. Todos nós aqui somos testeunhas desse senhor. Ele foi agradido pelo médico", grita uma mulher para os policiais militares. "Peçam para ver as câmeras de segurança do hospital", diz outra. Confira o vídeo logo abaixo.

     O nome do médico não foi informado. Funcionários do hospital disseram que o profissional saiu pelos fundos e foi embora de carro antes da chegada da polícia. Em nota, o Hospital Evangélico disse que abriu um inquérito administrativo interno para investigar o ocorrido. "Tão logo se esclareça a verdade dos fatos, o Hospital tomará as providências cabíveis necessárias", diz um trecho do texto. Confira na íntegra a nota divulgada pelo hospital: "Sobre informações publicadas em site de notícias de Curitiba acerca de uma suposta agressão a um paciente, o Hospital Evangélico de Curitiba, mantendo sua postura de transparência e buscando evitar a desinformação, esclarece à sociedade que abriu inquérito administrativo interno e está investigando através de todos os meios disponíveis detalhes sobre o ocorrido na tarde desta sexta-feira. 

    Tão logo se esclareça a verdade dos fatos, o Hospital tomará as providências cabíveis necessárias. O Hospital Evangélico de Curitiba é o maior hospital filantrópico do Paraná, tendo mais de 95% de seus atendimentos voltados a pacientes do SUS, é o único centro de queimados do estado e recebe mais de 50% de todas ocorrências de trânsito da cidade. Uma instituição essencial na manutenção da saúde pública de Curitiba e Região Metropolitana, que tem o compromisso de prestar o melhor atendimento dentro do possível e respeitando as prioridades das classificações de risco. A direção do Hospital Evangélico tem trabalhado fortemente junto à equipe em todos os níveis da instituição a sua missão: colocar as necessidades do paciente sempre em primeiro lugar. Estes compromissos serão mantidos.

    Justiça obriga Senado a adotar votação aberta no caso Aécio

    Resultado de imagem para AécioBrasília – O juiz federal Marcio Lima Coelho de Freitas, da Sessão Judiciária do Distrito Federal, concedeu liminar no início da noite de ontem que obriga o Senado a adotar a votação aberta e nominal na sessão que vai decidir pelo afastamento ou não do senador Aécio Neves (PSDB-MG). A decisão atende a uma ação popular movida pelo presidente da União Nacional dos Juízes Federais (Unajuf), Eduardo Cubas. A liminar se baseia na emenda 35/2001 que altera o artigo 53 da Constituição suprimindo a possibilidade de votação fechada nos casos que envolvem a suspensão de direitos de parlamentares.

    Além disso, o juiz alega que o Senado não vai cumprir o papel de revisor do Judiciário na sessão que vai decidir o futuro de Aécio. Ao contrário, a deliberação faz parte do “sistema de freios e contrapesos decorrentes do desenho constitucional, no qual compete ao próprio Legislativo dar a palavra final sobre medidas cautelares envolvendo seus integrantes e, portanto, está obrigado a se submeter à regra da publicidade das decisões judiciais. Segundo o autor da ação popular, o objetivo é dar mais transparência à atividade política. “A sociedade começa a repensar nossa política e em como deixar as coisas mais transparentes”, disse Cubas.


    A decisão da Justiça ocorre em meio ao embate acirrado entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que terminou com o placar apertado, por 6 a 5, a favor do Congresso Nacional, que terá a palavra final sobre medidas cautelares contra parlamentares. Agora é vez do Senado, que analisa na terça-feira a situação de  Aécio Neves, afastado do mandato pela Primeira Turma da Suprema Corte. E a polêmica já começa na forma de votação, que seria secreta se dependesse de aliados do tucano. Interlocutores do senador mineiro dizem que ele tem demonstrado pessimismo nos últimos dias diante da possibilidade de um resultado negativo. querem votação secreta, o que, em tese, favoreceria Aécio e evitaria desgaste a um ano das eleições. Aécio tem um aliado de peso, o presidente Michel Temer, que discute com seus auxiliares uma forma de ajudá-lo a obter votos no plenário. O tucano é um dos principais aliados de Temer e assíduo frequentador do Palácio do Jaburu desde que foi colocado em recolhimento noturno pela Primeira Turma, além de conversarem por telefone.

    A situação de Aécio Neves é delicada. Se ele não obtiver 41 votos a favor da suspensão das medidas cautelares da Primeira Turma, poderá ficar afastado do mandato por tempo indeterminado e ainda terá de derrubar no Conselho de Ética o processo aberto pelo PT por quebra de decoro, que pode cassá-lo. Nos bastidores, já existia entendimento na Mesa do Senado para que a votação no Senado fosse secreta, conforme determina o regimento da Casa para casos de cassação de mandato senadores, ministros do STF e procuradores.

    Aécio ficou fragilizado depois da decisão do PT de fechar questão contra o seu retorno. A esperança dos aliados do tucano é de que, com votação secreta, ele tenha votos da oposição. Como o artigo da Constituição que determinava votação secreta foi cortado e a regra ficou indefinida, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) prepara mandado de segurança para impetrar no STF para garantir votação aberta. Nas duas votações envolvendo Delcídio do Amaral (prisão e cassação), o voto foi aberto. Na época, além de pelo menos três mandados de segurança no STF, acatados pelo ministro Edson Fachin, o vice-presidente do Senado e então líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB) apresentou questão de ordem , aprovada pelo plenário, para que a votação fosse aberta. Ontem, a Ordem dos Advogados do Brasil divulgou nota condenando o voto secreto na votação.

    No Planalto, a estratégia para ajudar Aécio começa pela escalação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que já costura acordos com senadores. Aécio ainda conta com auxílio do ministro Antonio Imbassahy (PSDB), articulador político do governo. A parceria entre Aécio e Temer tem precedentes. Os tucanos aliados do senador cobram a ajuda do governo ao relembrar que o mineiro atuou para emplacar o deputado Paulo Abi-Ackel como relator da primeira denúncia contra Temer, além de avalizar Bonifácio de Andrada como relator da segunda denúncia. Ambos são do PSDB de Minas e deram pareceres favoráveis ao governo Temer.